//O ABOMINÁVEL HOMEM DAS LETRAS
A. DaSilva O.
“(...) Tereu é um poeta perdido nas malhas da razão: o seu quarto escuro. Era fácil vê-lo com um negro saco de plástico a tentar vender os livros que conseguia roubar nas livrarias. Agora está aqui ensacado num desses sacos de lixo da justiça. Foi encontrado na lixeira metropolitana, todo retalhado. É possível ver roupa feminina entre os restos mortais. Confessara-me gostar de vestir a roupa interior de sua mãe, entre beijos. Pagava-me em livros de poesia que cerimoniosamente queimava, quando se vinha, juntamente com as roupas que comprava de propósito.
Nunca teceu qualquer comentário. Grunhia, gesticulava e saltava sobre a fogueira tal shaman. Não passamos de poemas com resíduo. (...)”
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