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//EDITORAL 01

 

O nome Detritos deriva da tentativa talvez absurda mas potencialmente explosiva de criar um território recuperador de processos interrompidos que acabam, por uma razão ou por outra, por ir parar à gaveta. Registar restos de criações, ideias laterais, objectos parciais e projectos falhados. Aplicamos aqui os melhores princípios da economia de meios ao mundo da produção criativa: usar os restos, recuperá-los e transformá-los em novos começos. O termo Detritos surge desta busca de restos que reflectem, como cristais, eventos pertencentes a uma vida que se quer vivida amplamente.
Claro que nada disto é por acaso.
Perante uma progressiva normalização da produção criativa, e uma uniformização e infantilização das práticas artísticas (em torno ao circuito económico da novidade) torna-se prioritário despertar um espírito de dissonância e singularidade que não pode nem deve permanecer escravo dos processos de mediatização e profissionalização das actividades criadoras redundantes no culto do autor e no mercantilismo da alta-cultura.
Para a Detritos a criação é sempre transindividual e transcultural, não se inscreve na linguagem do sujeito nem do objecto, mas sim do que se passa entre eles. Queremos falar com vidas, com criações que se desenvolvem, que se transformam, que encetam diálogos e produzem novas criações.
Não cessamos de reafirmar a importância da escassez, ou de uma certa pobreza desejada: é preciso fazer, produzir e afirmar, mas é imperativo que se faça com o que se tem e que se invente o resto. Se a criação é sempre dupla na sua medida de resgate e produção, então a detritos roda à volta dessa capacidade ecológica de reaproveitar, de repensar e de pôr em movimento.
A Detritos é uma revista ecológica, mas de uma forma que não tem nada da arregimentação da natureza proposta pela sociedade pós-industrial. Não se trata aqui de uma visão tecnocrática sobre o sustento que se esgota, mais ou menos verde, mas da necessidade de pensar o inútil, o falhanço e o absurdo para permitir a subsistência de práticas subjectivas singulares.
Assim, não sendo uma revista que se subdivida em números temáticos o único tema que resiste e subsiste é o do fazer na sua medida intensiva: uma busca de registar os movimentos criativos nos seus processos de expansão.
Ao longo deste e dos próximos números propomo-nos então a apresentar uma série de trabalhos na sua componente ensaística, pois pareceu-nos que a revista se deveria debruçar acima de tudo sobre aquelas produções que reflectem esse pensamento que experimenta necessário a qualquer actividade criativa. Porque criar e pensar não são senão a mesma coisa, pois modos de vida inspiram modos de pensar e modos de pensar criam modos de viver. “A Vida activa o pensamento, e este por sua vez afirma a Vida”

 

Godofredo Pereira e Susana Caló

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  • detritos

    TEXTOS ON-LINE

     

    .04 editorial

    . triebkrieg
    . terrorismo e modernidade
    . ataque modelo

    . o terror pela idiotia
    . roundtable on terrorism


    . 03 editorial

    . o lugar do desejo e deriva no cemitério

    . quem são as vivian girls?

    . glória e resurréctine

    . a arte depois do jogo

    . carta ao colégio

     

  • . 02 editorial
  • . da sustentabilidade à ecologia radical
  • . a evasão do espectáculo

  • . ontem
  • . política afectiva do lixo na rua

     

  • . 01 editorial
  • . o que são detritos?
  • . swimming with chris

    . palimpsesto fotográfico

    . filiação e traição

    . ringing light

    . a arquitectura das máquinas de guerra

     


  • detritos

    DOCUMENTOS

    + evento terror/terrorismo

     

    + ciência das soluções imaginárias

     

    + lançamento detritos 03

     

    + apresentação revista em guerra

     

    + lançamento detritos 02

     

    + lançamento detritos 01

     

    + lançamento ao mar

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Edições Detritos 2010 | revistadetritos@gmail.com